Pedra do Baú

Pedra do Baú

Em meio à deslumbrante paisagem da Serra da Mantiqueira, um conjunto de rochas se destaca com imponência na Estância Climática São Bento do Sapucaí. Trata-se do complexo rochoso Pedra do Baú, formada pelo Baú e suas “irmãs” Bauzinho e Ana Chata.

O conjunto de rochas é um dos principais atrativos para praticantes de escalada no Brasil, tendo pelo menos 30 vias de escalada, com diversos graus de complexidade técnica, dificuldade, diferentes extensões e altitudes. Para aqueles que curtem um passeio mais tranquilo, tem a opção do Bauzinho, que necessita apenas de uma caminhada para chegar ao topo. Do alto da Pedra, é possível ter uma bela vista da Serra da Mantiqueira, na região da divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Além disso, a Pedra em si é tão evidente na paisagem que chega a ser visível de diversas localidades do Vale do Paraíba, já tendo sido usada como instrumento de navegação geográfica.

Em termos geomorfológicos, podemos dizer que a Pedra do Baú é uma imponente feição que abrange um conjunto de cristas rochosas (denominadas Ana Chata, Bauzinho e Pedra do Baú), com ponto culminante a 1.950 metros de altitude. O monumento é constituído por gnaisses do Complexo Varginha-Guaxupé, com origem datada do período pré-cambriano. Sua evolução geológica está intimamente relacionada aos processos tectônicos e erosivos que se seguiram à ruptura continental, em especial, à origem e a evolução do rift continental do sudeste do Brasil, durante o Paleogeno.

Atualmente, além de ser um monumento geológico, a Pedra do Baú também é um Monumento Natural Estadual (MoNa), dentro de uma Área de Proteção Ambiental – a APA Sapucaí-Mirim. A área é conservada por meio de gestão compartilhada entre a Fundação Florestal (instituição vinculada à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo) e a Prefeitura de São Bento do Sapucaí.

Visitação: todos os dias do ano, das 8h às 18h
Taxa: R$10,00 por pessoa
Endereço: Estrada Municipal do Bauzinho, s/n – Acesso pela Rod. Municipal Thomaz Alckmin – Bairro Paiol Grande
Telefone: (12) 3971-6110
E-mail: meioambiente@saobentodosapucai.sp.gov.br

O complexo da Pedra do Baú conta com diversos atrativos, entre trilhas e vias de escalada. O acesso é feito por meio de uma estrada asfaltada que liga os municípios de São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão. Para chegar bem próximo ao ponto de onde partem algumas das principais trilhas, percorre-se, de carro, uma estrada não pavimentada de cerca de 6km de extensão até a entrada do Monumento Natural. O local conta com a infraestrutura de banheiros, trailer de alimentação e estacionamento.

A partir do estacionamento, continua-se o caminho a pé até a rocha, totalizando aproximadamente 1,2km de percurso com placas indicativas que orientam os visitantes quanto às trilhas existentes no local. Logo no meio do caminho encontra-se o primeiro atrativo: Mirante do Caramuru, que tem uma vista incrível para a Pedra e a cidade de São Bento do Sapucaí, e que com certeza irá render vários cliques.

Continuando a caminhada, se chega ao ponto de início das trilhas.

TRILHA DO BAUZINHO

Para quem procura uma trilha de nível fácil, a do Bauzinho é uma boa pedida, podendo ser percorrida inclusive por crianças. A trilha tem extensão de 100 metros e duração de 30 minutos. É um bom local para contemplação e relaxamento. De lá, tem-se uma bela vista de São Bento do Sapucaí e da Pedra do Baú. Quem percorre o caminho em silêncio e com atenção, tem mais chances de avistar pequenos animais ao longo do percurso.

TRILHA DA ANA CHATA

A trilha da Ana Chata já é um pouco mais longa e com maior grau de dificuldade. Sua extensão é de 3,8km e leva-se pelo menos 2 horas para percorrê-la. O acesso ao cume é feito por escadas instaladas na rocha, sendo mais simples que o da Pedra do Baú, com existência de guarda-corpos nos pontos mais íngremes.

TRILHA DO BAÚ

A trilha do Baú, Via Ferrata (Face Norte), tem 5km de extensão e tem duração de cerca de 4 horas. Só a caminhada até a base da pedra já é considerada difícil, por causa da extensão e do relevo. Chegando até ali, ainda há a subida até o topo da rocha. Por isso, trata-se de uma opção para trilheiros mais experientes. Da base até o topo da pedra, são 600 degraus da Via Ferrata, que levam o visitante a uma altitude de 1.950 metros. A subida é emocionante. Recomenda-se fortemente a contratação de um instrutor experiente para acompanhar o grupo e o uso de equipamentos de segurança.

VOO LIVRE

A Pedra do Baú também conta com uma rampa de voo livre e é uma atividade para quem quer experimentar a sensação de estar voando junto aos pássaros e sobrevoando nossos principais pontos turísticos. Os voos têm início na Rampa de Voo Livre localizada no Mirante do Caramuru, que fica próximo ao Bauzinho, alguns metros após o estacionamento do Monumento Natural Pedra do Baú. A atividade é regulada pelo Clube Pedra do Baú de Voo Livre, sendo uma boa opção para quem gosta da sensação de liberdade e adrenalina. Esse tipo de atividade depende do clima e do vento, portanto antes de ser feito o agendamento será necessário consultar a possibilidade de execução com o instrutor para maior segurança.

O Monumento Natural Estadual da Pedra do Baú foi criado pelo Decreto Estadual nº 56.613, em 28 de dezembro de 2010.
O monumento natural é uma unidade de conservação que tem como objetivo primordial a preservação de sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. No caso da Pedra do Baú, o seu tombamento visa proteger a biodiversidade, os recursos hídricos e a paisagem local, bem como preservar o seu significado como marco cultural e histórico, sua relevância geológica, organizando a visitação turística e o uso esportivo da rocha, garantindo, assim, a segurança do ambiente natural e de seus usuários.
A visitação em unidades de conservação dessa categoria deve ser feita de acordo com o que estabelece o plano de manejo da área, respeitando as normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua gestão.
Saiba mais sobre a gestão do MoNa Pedra do Baú neste link

A Pedra do Baú é uma unidade de conservação ambiental, sujeita a normas e regras.

NÃO É PERMITIDO:

  • acampar;
  • caçar;
  • uso de drones sem autorização do órgão responsável;
  • captação de imagens para publicação sem autorização da Fundação Florestal;
  • atividades com uso de fogo;
  • uso de equipamentos sonoros sem a utilização de fone de ouvido;
  • estacionar fora das áreas reservadas para estacionamento;
  • despejo de lixo ou entulho;
  • realizar a coleta de produtos ou subprodutos florestais.

NORMAS PARA SUBIDA PELAS ESCADAS DA PEDRA DO BAÚ

A subida é permitida somente mediante o uso dos seguintes equipamentos:

  • cadeirinha de escalada ou similar;
  • capacete para escalada ou similar com ponto de fixação no queixo;
  • conectores tipo mosquetões ou talabartes duplo;
  • Auto Seguro Duplo ou similar.

A subida com corda deve seguir a seguinte proporção: 1 (um) líder para no máximo 6 (seis) pessoas.

LENDAS

Conhecida e admirada por muitos viajantes desde tempos remotos, a Pedra do Baú sempre chamou a atenção na paisagem por seu contorno único e beleza cênica. Atingindo 1.950m de altitude em seu topo, em plena Mantiqueira Paulista, a Pedra e seu entorno está envolta não apenas na cerração da manhã e dos dias nublados, mas também por diversas lendas, originárias da imaginação popular sobre o “gigante adormecido no seio da mata virgem” (LIMA SILVA, Isaura). A mais famosa localmente é a dos Três Irmãos, mas há ainda a “Mãe do Ouro”, o “Reino do Rei Beijaúme”, o “Baú e seu tesouro”, a “Toca” e muitas outras baseadas em casos relatados, além de ser fonte de inspiração ainda de sonetos, como “A mágoa do granito” (Affonso José de Carvalho, 1918), “Pedra do Bahú” (Plínio Salgado, 1915) e “Pedra do Baú” (Bento Cortez, 1962).

A CONQUISTA DO BAÚ

O ano de 1940 foi um marco na história do Baú. Até esta data, não há registro histórico de que alguém tenha conseguido chegar ao seu topo, proeza essa que se deu com dois sambentistas extremamente corajosos e determinados: os “irmãos Cortez” Antônio Teixeira de Souza e João Teixeira de Souza, conhecidos como Cortez devido ao sobrenome da avó paterna, dona Gertrudes Eufrosina Cortez. Após sonhar com o grande feito desde a infância, foi precisamente no dia 12 de agosto do ano de 1940, quando o irmão mais velho (Antônio) já contava 51 anos de idade, que ele e, logo em seguida, o caçula (João) tiveram a honra de descortinar o topo da enorme pedra granítica.

Existem ao menos duas versões sobre a visão relatada por Antônio antes de conseguir escalar a Pedra. O fato é que, após este sonho, ele decidiu fazer a tentativa pela face Sul (voltada ao bairro do Baú), onde é possível se comprovar, nos dias atuais, que a subida é um pouco menos íngreme, mais arborizada e com a rocha menos nua. Ainda assim, foi necessário vencer obstáculos como paredões de rocha lisa de, aproximadamente, 8 metros de altura, intercalado com matas onde se encontravam plantas com espinhos que, vez ou outra, rasgavam suas vestes e faziam cortes em suas peles. Utilizaram o tronco de uma árvore e as próprias mãos apoiadas às “trincas” ou “fissuras” da rocha. E foi desta forma que, primeiro Antônio e depois João chegaram pela primeira vez ao topo da famosa e cobiçada Pedra. Após a subida dos irmãos, Antônio levou também sua esposa, que ficou conhecida como a primeira mulher a subir a Pedra, e também seus filhos. Finalmente, aos 22 de junho de 1945 foi registrada a primeira descida de Antônio Cortez pela face norte, com cordas (o rapel daquela época).

É perfeitamente compreensível que tenha sido difícil acreditar no sucesso desta empreita àquela época. Mesmo diante de tamanha euforia, seria necessário provar diante de outros olhos que a Pedra do Baú não era mais um local inexplorado e que, finalmente, muitos poderiam realizar o sonho de conhecer seu topo, observar São Bento e a região do alto, matando uma curiosidade que é intrínseca ao ser humano. Para tanto, uma nova data foi marcada para que uma caravana acompanhasse os irmãos na segunda escalada, para testemunhar o feito. Na primeira subida, apenas alguns poucos matutos da redondeza presenciaram incrédulos e seus familiares os receberam de volta felizes por estarem sãos e salvos.

Marcaram a nova escalada para o dia 19 de agosto de 1940. Foram reunidas autoridades sambentistas da época e convidados de São Bento e outras cidades vizinhas. Conforme relatos, foi por volta de 12h que os irmãos apontaram sobre a Pedra e hastearam uma bandeira do Brasil, enquanto os expectadores aplaudiam entusiasmados do Bauzinho. A banda da cidade ali presente também tocou o Hino Nacional. Neste mesmo ano era comemorado o cinquentenário da instalação da Comarca e, em edição especial, o jornal local Correio de São Bento, fundado por Plínio Salgado, incluiu um artigo sobre a conquista do Baú, de autoria e redação de José Vicente Costa, escrivão da polícia. Na sequência, a notícia chegou à capital paulista e se espalhou por outras regiões do Estado, sendo divulgada em outros jornais. Nestes anos de turbulência política do governo de Getúlio Vargas, em regime do Estado Novo, o Estado de São Paulo era governado sob intervenção federal por Adhemar Pereira de Barros, que recebeu a notícia através de um telegrama.

CONSTRUÇÃO DAS ESCADAS E DO REFÚGIO DE MONTANHA

No ano de 1943 teve início a construção das famosas escadinhas. Alguns degraus feitos de ferro, outros de pedra quebrada. O transporte nos ombros dos trabalhadores. 602 degraus no final. Como tudo começou? Bem, de alguma forma, Antônio Cortez conheceu um certo Dr. Luiz Dumont Villares, o que não se sabe ao certo nos dias atuais, por existirem duas versões para este primeiro encontro. O fato é que nasceu uma importante amizade entre os dois, que no final das contas, rendeu bons frutos ao município. Conta-se até mesmo que o Sr. Villares, além de patrocinar a construção das escadinhas, ajudou financeiramente o amigo até o final de seus dias.

Luiz Dumont Villares era sobrinho de Alberto Santos Dumont. Tornou-se um grande amigo de São Bento por seus feitos que incluem, além dos benefícios à Pedra, a fundação do Acampamento Técnico Educacional Paiol Grande, hoje Acampamento Paiol Grande. Em 1956 recebeu o título de Cidadão Honorário deste município. Engenheiro eletricista de formação, aos 22 anos ingressou na firma Pirie, Villares & Cia., substituindo seu irmão Carlos, co-fundador nesta empresa, que inicialmente produzia elevadores, escadas rolantes e motores elétricos desde 1918. Em 1944, Luiz funda a Villares Metals, que está no mercado até os dias de hoje. A empresa atualmente atua em vários segmentos no mercado e ainda contém parte de seu capital composto por ações de descendentes dos fundadores.

As escadas e o Refúgio de Montanha foram construídos na mesma época. Luiz Villares comprou terras do entorno da Pedra para garantir o acesso às pessoas. Esta informação pode ser comprovada em registros de cartório. Em seguida, Villares contratou a construtora “Floriano Rodrigues Pinheiro”, que levava o material para a construção do abrigo até onde havia caminho para o caminhão, depois os animais de carga faziam o restante do trajeto até a base da Pedra. A partir de 30 de agosto de 1943, foram instaladas as escadas da Face Sul (lado do bairro Baú) e em momento posterior, as da Face Norte (Paiol Grande).

No dia 1º de abril de 1945 foi feita a demarcação da casa, que deveria ocupar um espaço de 4 metros de largura por 14 metros de comprimento. No dia 10 de abril, houve o início das obras: pedras do alto do Baú foram dinamitadas para os alicerces, e os outros materiais necessários à obra foram transportados por uma bica de tábua, puxada por carretilhas pedra acima e pelos ombros dos funcionários. Para concluir a obra, o tempo gasto foi de 1 ano e 10 meses.

Infelizmente, logo após a inauguração, o Refúgio começou a sofrer os danos do vandalismo: um grupo de visitantes que lá havia pernoitado atirou nas paredes e no livro de assinaturas (registro de visitantes) que havia no local, preso por uma corrente de aço inoxidável. A ocorrência foi feita na Delegacia e houve um acordo em que os réus pagaram as despesas do conserto, porém, o livro dos visitantes nunca mais foi visto após este incidente. Ao longo dos anos, o vandalismo continuou até que, na década de 1980, havia apenas a chaminé da lareira e os alicerces. Hoje, podemos observar apenas partes do alicerce.

Texto: Jane Soldtner
Fotos: extraídas do livro “Pedra do Baú – um mito, uma maravilha, uma justiça”, de Isaura Aparecida de Lima Silva
Nota: a principal referência para este compilado foi a obra “Pedra do Baú – um mito, uma maravilha, uma justiça”, de Isaura Aparecida de Lima Silva. Outras informações que aparecem no texto foram buscadas em sites da internet ou coletadas com munícipes.
Atualização e revisão: Maria Clara Thomaz, 2019

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