Capelinha de Mosaico

Autores:
Claudia Villar e Ângelo Milani

Assistentes:
Toninho e Jackson

História da Capela:

É provável que a data da atual edificação desta capelinha remonte ao inicio do século XX, em local onde, sabe-se por tradição oral, obrigou indivíduos remanescentes do período colonial. Portanto, as pequenas igrejas dessa região, denominadas genericamente como Capelinhas de Santa Cruz, possuem origem incerta, muitas vezes lendária. É por isso que não se pode afirmar com certeza que foram realizadas em cumprimento de promessas, ou se os locais sediaram acontecimentos relacionados à religiosidade ou a crenças populares. O fato é que até hoje abrigam cerimônias tradicionais, como as rezas ou novenas de maio. E não é difícil encontrar diante delas quase que diariamente, pessoas em postura de persignação, realizando orações, ou deixando algum objeto de culto em seu interior.

História dos Mosaicos:

A Capela, de decoração muito simples em seu quase completo despojamento, não continha sinais característicos que a diferenciasse das demais, com exceção de uma escultura de Cristo posicionada sobre o altar que ainda chama atenção pela sua expressividade e qualidade artística. A imagem de autor anônimo, doação do Padre Pedro, pároco da cidade por mais de quarenta anos é um significativo exemplar de obra realizada com sugestiva dramaticidade, herdeira direta das criações barrocas.

Em 2008 a parede frontal do prédio exibia uma grande rachadura, que punha em risco a estabilidade da construção centenária. Foi então que o artista plástico Ângelo Milani, depois de realizar a necessária reforma, teve a idéia de ornamentar a fachada com mosaicos compostos por formas abstratas, que fazem referencia tanto as típicas divisões dos mastros de São João, quanto ao seu próprio trabalho.

Para a decoração do interior, o espaço recebeu o enriquecedor acréscimo de um conjunto de mosaicos criados por sua esposa, a artista plástica paulistana Claudia Villar, concebidos originalmente para uma instalação realizada com sucesso por ela em 2005 na Capela do Morumbi, em São Paulo. Trata-se de 30 conjuntos retangulares, que agora enfileirados em ambas as paredes laterais, assemelham-se a uma surpreendente via-crúcis, plena de novos significados.

Cada uma dessas caixas, ou blocos de cimento, contém composições realizadas com materiais diversos, como sacros fragmentos de estatuas de santos abandonados por fieis em diversas igrejas, rearticulados agora em permanente diálogo com efêmeras miudezas, como contas coloridas, cacos de louças, pedaços de vidros e azulejos, dejetos industriais reaproveitados, etc.

Ao mesmo tempo em volta dessas obras e inspiradas por elas, foram criados novos nichos, com novos trabalhos, completando e preenchendo praticamente todos os espaços interiores. Além disso, foram também incorporadas pequenas peças produzidas por crianças em oficinas de criação. O efeito é esfuziante em sua perturbadora concentração de informações visuais. E o esplendor das cores e dos brilhos, ao envolver fisicamente o espectador, cria a sensação de imersão num mundo quase irreal.

A capelinha tem servido também como exemplo e estímulo para a prática profissional do mosaico. A partir de sua elaboração, é significativo o número de cidadãos que passaram a dedicar-se a essa modalidade artística, estendendo sua ação e difusão ás cidades vizinhas.

Horário de Visitação:

Finais de semana e feriados, das 8 ás 18 horas.

Outros Roteiros:

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